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Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Quadrilha Junina

A quadrilha é uma dança de origem europeia, cujos registros originários, que falavam de velhas danças rurais da Normandia e da Inglaterra, se perderam no tempo. O conjunto de danças palacianas aristocráticas que se espalhou pela Europa nos séculos XVIII e XIX, nos foi legado pelos portugueses.

O que compreendemos como quadrilha chegou até nós com o nome de pas de dance, contradança de salão da corte francesa.

O vocábulo quadrilha vem do francês quadrille e origina-se do italiano squadro, que por sua vez significa companhia de soldados dispostos em quadrado. Segundo Câmara Cascudo, no Brasil Colônia, a identidade com tudo o que vinha da Europa era muito presente, então foi fácil passar de quadrille para quadrilha.

 

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Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Quadrilha Junina Matuta

A evolução da dança no Brasil se deu com sua popularização. Saiu da corte para os salões das províncias, aos poucos foi perdendo o ar aristocrático, chegou às ruas e aos clubes populares e, finalmente, atingiu a região rural.

A polca e a mazurca foram substituídas pelos ritmos nordestinos xote, xaxado, baião e marcha junina, constituindo-se no gênero forró. A dança voltou-se basicamente para o Ciclo Junino, dançada inclusive nas festas de casamento, quando os cortejos desfilavam pelas ruas após a celebração da cerimônia. As vestes abandonam os veludos e as sedas dão lugar ao colorido das chitas, das fitas e dos chapéus de palha.

Para o homem do interior, os festejos juninos são comemorados de forma grandiosa e neles está contido muito da alma nordestina. O profano e o religioso, as crendices, os sentimentos coletivos afloram num momento em que a fertilidade é a palavra chave. Fertilidade da terra que nos presenteia com o milho, base da gastronomia junina. Fertilidade do homem, manifestada através da alegria, das danças, dos casamentos e namoros, tão próprios à época de acender fogueiras.

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Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Quadrilha Junina Estilizada

A quadrilha matuta fica conhecida como tradicional e ocupa espaço nos meios urbanos. Reproduz as vestes e os trejeitos do homem rural e associa o casamento matuto como representação dramática. Segundo o pesquisador Roberto Benjamim, “vai se transformando em um folguedo de natureza complexa”.

A imitação do modelo rural torna-se mesmo caricatural e, como disse Câmara Cascudo, até carnavalesco.

Naturalmente, o processo de urbanização do brinquedo trouxe novas tendências. Os instrumentos antes utilizados (zabumba, triângulo e sanfona) foram substituídos por instrumentos eletrônicos, os requebros tornam-se mais livres e sensuais. As vestes vão rever veludos, sedas e modelos do tempo do império.

É o momento da estilização, que ora mostra o resultado da nossa mescla cultural (índia, negra, ibérica) com aspectos resultantes das influências assumidamente urbanas e da cultura de massa, ora se mostra totalmente ibérica assumindo, inclusive, a interferência moura e cigana, resultantes da presença desses povos na península Ibérica.

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Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Quadrilha Junina Recriada

O que ficou conhecido como estilizado dá lugar ao recriado que assume cada vez mais as tendências urbanas e as novas linguagens artísticas. A quadrilha assume o papel de espetáculo de dança e teatro.

Adolescentes e jovens, os verdadeiros representantes dos festejos, evidenciam a liberdade nas expressões artísticas, a crítica aos costumes e a ousadia na indumentária, que pode partir do modelo mais tradicional da corte francesa às recriações das vestes usadas em folguedos populares nordestinos.

A presença do tema, como ponto forte do espetáculo, ao contrário de distanciar o brinquedo das suas origens, é um momento de retorno, em que os grupos se voltam para a pesquisa de traços da cultura popular nordestina. Revisitam os elementos que compõem o ciclo junino, prestam homenagens aos personagens da nossa história e representam, de um modo novo e por meio da arte, a percepção do universo em que vivemos, sem esquecer que dependemos das interferências históricas e culturais que traduzem a contemporaneidade.

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